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Podes tirar o Daniel Oliveira do BE mas não tiras o BE do Daniel Oliveira

sábado, 23 de setembro de 2017

Daniel Oliveira, fazedor de opinião de encomenda do Expresso e talvez de mais uns quantos órgãos da doutrina dominante, certamente por reconhecimento de um brilhantismo fabricado precisamente por quem lhe paga e não menos certamente aceite pelo próprio como verdadeiro, usa uma vez mais as colunas que produz no jornal de Balsemão para a campanha eleitoral, a coberto de opinião.

Desta feita, DO começa logo por dizer que as sondagens não indicam nada mais que tendências, mas segue um texto bastante robusto e programático para algo que se baseia apenas em tendências. Depois, partindo dessa desvalorização aparente da sondagem, DO segue uma construção política definida pelo BE como orientação nacional: isolar a CDU e definir um programa conjunto entre BE e PS.

É certo que em Almada, uma das irmãs Mortágua, expôs bem o objectivo fundamental do BE naquele concelho, que é exactamente o mesmo afirmado por Sandra Cunha para o BE em Setúbal. Em ambos os casos, afirmaram sem margem para dúvidas que o seu objectivo é tirar a maioria absoluta à CDU, mas é igualmente certo que a brandura e simpatia da Comunicação Social perante o BE não permita afirmar este objectivo como central porque fica mal na fotografia quando a Catarina Martins anda por aí com a sua candura a dizer a quem queira ouvir que não percebe os ataques do PCP e que o BE não ataca o PCP. Uma coisa é o que diz Catarina Martins para se vitimizar, outra é o que fazem os seus candidatos e porta-vozes, de que são exemplos Joana Mortágua, Sandra Cunha e Daniel Oliveira. A prática é o critério da verdade e começa mal o BE ao vitimizar-se quando é o primeiro a mostrar que o seu objectivo é retirar terreno eleitoral à CDU.

Regressemos ao tema: então DO faz todo um programa político e anuncia toda uma política de alianças baseado em tendências e esquece-se de nos relembrar, por exemplo, que as sondagens de 2013, também elas indicadoras de uma "tendência", davam sempre uma votação muito próxima entre CDU e BE e que atribuíam a ambas as forças políticas um vereador, sendo que a CDU acabou elegendo 2 e o BE nenhum. Também se esquece de nos relembrar que existe uma experiência de vereação do BE em Lisboa, precisamente alcançada num contexto de proximidade com a candidatura do PS de então (2007, António Costa).

"O Zé faz falta" lia-se por toda a Lisboa, a grande consigna do BE para convencer os lisboetas de que o BE seria uma espécie de grilo da consciência de António Costa e condição para uma política realmente de esquerda. Sá Fernandes, apoiado pelo BE, inicia uma política de total alinhamento com os piores traços do comportamento do executivo PS de António Costa e mostra que para não mais serviu do que para alimentar a ilusão de que um qualquer vereador do BE pode dar qualquer espécie de garantias de seriedade e lealdade às pessoas que vivem e trabalham em Lisboa. Não deixa de ser engraçado que DO, seguindo a linha encomendada pela Mesa Nacional que não ofende certamente a do conselho de administração de Balsemão, parta de uma "tendência" que falhou redondamente há quatro anos quando o candidato João Semedo não foi eleito vereador para construir toda uma teoria também ela rotundamente negada pela prática, pela verdade.

Há duas manobras de DO baseadas em mentiras que devem ser desmascaradas:

A primeira, a de que um vereador do BE pode condicionar mais a política do Executivo do que Manuel Salgado, vereador do PS na CML. Em nada essa teoria encontra respaldo. Pelo contrário, todos os indícios existentes a negam. Começando pelo facto de a probabilidade de eleição de um vereador do BE ser parte da propaganda habitual das sondagens e terminando na experiência recente de vereadores do BE eleitos em Lisboa. Das duas uma: ou DO está delirante e acha mesmo que o candidato do BE pode vir a ser um vereador simultaneamente leal ao povo e a Medina e ao mesmo tempo que o Medina o respeitará mais do que aos seus próprios amigos de partido, ou então DO mente e efabula para cumprir com falácias a orientação nacional do BE que consiste em atacar e isolar a CDU.

A segunda, a de que a CDU se pôs de parte de qualquer debate sobre o poder em Lisboa. Todos sabemos que a CDU e as forças que a compõem: PCP, PEV, ID e muitos independentes, não discutem cenários políticos com base em sondagens e não discutem coligações ou acordos com base em siglas e símbolos partidários, mas sim com base em programas e propostas concretas. Concentrar os esforços na campanha e na divulgação das propostas da CDU é a prioridade dos seus membros e candidatos e isso é um contributo de seriedade para a política de Lisboa e do país, ao invés de alimentar debates sobre arquitecturas fabricadas por jornais e sondagens, ajudando a criar a confusão e a ilusão e instrumentalizando cenários inventados como armasde arremesso contra alguma força política, que é precisamente o que DO faz no seu "artigo": inventa um cenário que não tem nada de real e, partindo desse cenário criado, utiliza-o como arma contra a CDU em Lisboa. O trabalho dos candidatos da CDU em Lisboa, de que destaco o meu camarada João Ferreira por ser o candidato a presidente da Câmara e por demonstrar que dispõe, como nenhum outro candidato ao mesmo cargo, das capacidades e condições para levar a cabo um mandato ao lado do povo de Lisboa e colocar o poder autárquico ao serviço dos que aí vivem e trabalham, fala por si e afirma-se como um elemento concreto perante as palavras abstractas de DO. Contra a efabulação e invenção de DO, a prática e a verdade do dia-a-dia da CDU e dos seus candidatos. E podemos olhar para o mandato que ora está prestes a terminar e reconhecer, como em nenhuma outra força política, a constância da CDU e a lealdade dos seus vereadores ao projecto inicialmente apresentado, sem deslumbramentos ou delírios, sem cedências de princípios e sem abandonar por um minuto a combatividade e a tenacidade que os caracterizou desde o primeiro momento.

Acrescenta-se uma outra mentira de DO e uma opinião que é dada como facto: a de que a CDU é contra a redução do espaço para a viatura individual e a de que a municipalização da Carris foi a melhor medida de sempre para a cidade. Sobre isto é importante dizer que a CDU defende acima de tudo a criação de uma rede de transportes públicos eficiente e capaz de responder às mais diversas necessidades da população, que ainda não existe e que não defende, por isso, soluções que passem pela simples penalização do uso do transporte individual. Ou seja, não é penalizando o uso do transporte individual sem criar alternativa que vamos resolver o problema da mobilidade em Lisboa. Para PS e BE, fazer as pessoas pagar cada vez mais para circular ou estacionar, proibir a circulação de viaturas individuais em cada vez maiores áreas, é uma solução em si mesma, mesmo que não seja acompanhada, como não é, de uma rede de transportes mais eficaz. Sobre a municipalização da Carris, cá estaremos para ver onde vai dar essa grande medida do Governo, mas também relembro que, não fora o PCP, e essa municipalização sucederia como primeiro passo de um processo de privatização e que foi a intervenção do PCP que determinou que assim não fosse, para já.

Daniel Oliveira saiu do BE mas mantém o método do manual de instruções do bom esquerdista: passo 1, demagogia; passo2, atacar a CDU; instruções gerais, sempre que possível, combinar ambos.

Louçã. Fica tudo dito.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

No dia 12 de Julho, o BE apresentou na Assembleia da República um voto de condenação e repúdio pela discriminação contra a comunidade cigana na Freguesia da Cabeça Gorda. De nada valeu que, pela altura da apresentação do voto, já a Freguesia da Cabeça Gorda tivesse esclarecido que o enterro do homem da comunidade cigana não se podia realizar no cemitério local pelo simples motivo de que existia um regulamento que o impedia, dado o facto de ali não ter pertença, nem morada passada ou presente.

Ora, o BE sabia que a impossibilidade de fazer o enterro no cemitério da Cabeça Gorda se devia, portanto, a um conjunto de factores, dos quais nenhum se relacionava com a etnia do cidadão. Ainda assim, pensou que seria mais um daqueles casos em que vale a pena ir a jogo contra o PCP - já que a autarquia da Cabeça Gorda é gerida pela CDU - e parece que estou a ver o Sr. Louçã lá na sua caverna a mandar umas linhas de intervenção para o Grupo Parlamentar que será sempre seu e a ponderar que já que o terreno é inclinado a seu favor, até a mentira pode ser recurso. Isto porque, para o BE, nas lutas que abre contra o PCP, o caminho está sempre facilitado. O BE sabe bem que a comunicação social tomará sempre o seu partido, o que é natural e não merece queixume mas sim denúncia, pelo simples motivo de que os óculos com que ambos olham para a sociedade são os mesmos. BE e comunicação social dominante usam os óculos da burguesia, da classe dominante, para descrever, interpretar e agir sobre os fenómenos. Falam a mesma língua e movem-se no seio da mesma classe, servindo-a portanto.

Um estatuto só para a CNB?

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Passam poucos dias sobre a aprovação dos vários projectos de lei sobre as condições de trabalho dos bailarinos da Companhia Nacional de Bailado. O Grupo Parlamentar do PCP apresentou um vez mais um projecto que dá corpo a um conjunto de velhas, mas urgentes, reivindicações dos trabalhadores da CNB e, juntamente com outros partidos, viu aprovado esse projecto numa primeira discussão - na generalidade - tendo os 3 projectos (do PCP, PSD/CDS e BE) baixado à discussão na especialidade, onde serão discutidos em pormenor e sujeitos a propostas de alteração. O caminho ainda é longo e nada está garantido.


A longa luta dos bailarinos da CNB tem tido o apoio do PCP porque são justas as aspirações dos que, como os bailarinos da CNB, entregam uma grande parte da sua vida activa, da sua criatividade, do seu esforço físico e intelectual, à salvaguarda de um repertório a que de outra forma os portugueses não acederiam e fazem-no através de uma Companhia Nacional, ou seja, de todos os portugueses, do Estado. Daí que a luta dos trabalhadores da CNB tenha vindo a ser desenvolvida junto da sua entidade patronal: o Estado, nomeadamente através do Governo e da Assembleia da República.